A radiofrequência emite ondas eletromagnéticas que aquecem a derme até a faixa de 40 a 42 graus. Esse calor controlado contrai as fibras de colágeno existentes e estimula os fibroblastos a produzir colágeno novo, processo chamado neocolagênese. O protocolo corporal usual é de 6 a 10 sessões, e o resultado continua evoluindo por até 90 dias após a última aplicação.
É o recurso mais indicado quando a queixa não é volume, e sim pele que perdeu sustentação. E é o mais mal aproveitado, porque muita gente espera dele um efeito de redução de gordura que não é o seu papel.
Como a radiofrequência age na pele
O aparelho entrega energia eletromagnética que encontra resistência nos tecidos e se converte em calor. Esse aquecimento acontece na derme, camada mais profunda que a superfície visível, e produz dois efeitos:
Efeito imediato. As fibras de colágeno existentes se contraem com o calor, o que gera uma melhora discreta e temporária de firmeza logo após a sessão.
Efeito tardio. O aquecimento sinaliza aos fibroblastos que existe uma lesão controlada a ser reparada. Eles respondem produzindo colágeno e elastina novos. Essa fibra nova leva de 60 a 90 dias para se organizar, e é ela que sustenta o resultado real.
A temperatura de trabalho fica em torno de 40 a 42 graus na superfície, monitorada com termômetro durante toda a aplicação. Abaixo disso não há estímulo suficiente. Acima, há risco de queimadura.
O que a radiofrequência trata
- Flacidez de pele no abdômen, braços, coxas, glúteos e culote
- Flacidez após emagrecimento ou após gestação
- Aspecto de celulite, pela melhora da firmeza e da textura
- Melhora da circulação local, o que favorece protocolos combinados
O que ela não trata
- Volume de gordura localizada, que exige outro recurso
- Flacidez muscular, que depende de exercício e eletroestimulação
- Excesso de pele importante, que é caso cirúrgico
- Estrias já esbranquiçadas, embora possa melhorar discretamente a textura ao redor
Quando a pele sobra muito, como em grandes emagrecimentos, o realista é dizer que a radiofrequência melhora a qualidade da pele, e não que ela substitui uma abdominoplastia.
Protocolo e intervalo
| Área | Sessões usuais | Intervalo | Duração da sessão |
|---|---|---|---|
| Abdômen | 8 a 10 | 7 a 15 dias | 30 a 40 min |
| Braços | 6 a 8 | 7 a 15 dias | 20 a 30 min |
| Coxas e culote | 8 a 10 | 7 a 15 dias | 40 a 50 min |
| Glúteos | 6 a 10 | 7 a 15 dias | 30 a 40 min |
| Manutenção | 1 sessão | 30 a 60 dias | conforme a área |
O intervalo tem razão fisiológica: o processo de formação de colágeno precisa de tempo entre estímulos. Sessões diárias não aceleram, apenas irritam o tecido.
Contraindicações
- Gestação
- Marca-passo, desfibrilador ou qualquer dispositivo eletrônico implantado
- Implantes metálicos na área a ser tratada
- Câncer em tratamento, sem liberação da equipe médica
- Trombose atual ou recente
- Alterações de sensibilidade na região, que impedem o relato de calor excessivo
- Infecção, lesão ou dermatite ativa na área
- Uso de isotretinoína, conforme orientação médica
- Febre
A alteração de sensibilidade merece destaque. A segurança da radiofrequência depende de a pessoa conseguir avisar quando o calor está incômodo. Sem essa resposta, o risco de queimadura sobe.
Como potencializar
- Chegar bem hidratada, porque água é o meio que conduz a energia
- Não faltar às sessões, para não quebrar a sequência de estímulo
- Usar protetor solar na área tratada
- Manter aporte adequado de proteína, matéria-prima do colágeno
- Combinar com atividade física de força, que melhora a sustentação por baixo da pele
Leia também
Todo protocolo começa por uma avaliação presencial. Conheça os procedimentos da Clínica Estética AO ou fale com a gente para agendar a sua.
Fontes
- Sociedade Brasileira de Dermatologia
- Estudos sobre radiofrequência e neocolagênese no PubMed
- Agência Nacional de Vigilância Sanitária
Perguntas frequentes
Radiofrequência dói?
Não. A sensação é de calor progressivo, comparável a uma pedra quente deslizando na pele. O desconforto surge apenas se a temperatura passar do ponto, e a profissional monitora isso durante toda a sessão com termômetro.
Radiofrequência emagrece?
Não. Ela atua na firmeza da pele por estímulo de colágeno e, em alguns protocolos, favorece a mobilização de gordura pelo aquecimento. Redução de peso não é o objetivo nem o resultado esperado.
Quantas sessões de radiofrequência preciso fazer?
De 6 a 10 sessões, com intervalo de 7 a 15 dias, é a faixa mais comum para corpo. O resultado se acumula e continua se desenvolvendo por até 90 dias depois da última aplicação.
Pode fazer radiofrequência com prótese de silicone?
Prótese mamária de silicone não é contraindicação para tratamento corporal em outras regiões. Para aplicação sobre a mama, a conduta depende de avaliação e de liberação do cirurgião. Já implantes metálicos na área tratada contraindicam.
Quanto tempo dura o resultado da radiofrequência?
O colágeno formado dura, mas a pele continua envelhecendo. Manutenção com sessões espaçadas, a cada 30 ou 60 dias, é o que mantém o ganho ao longo do tempo.
Pode fazer radiofrequência no verão?
Pode. Não há fotossensibilidade associada como em peelings. A orientação usual é evitar exposição solar intensa na área logo após a sessão e manter protetor solar.
Andressa Oliveira é esteticista com 11 anos de atuação e criadora do Método AO. Atende na Barra da Tijuca e em Ipanema, no Rio de Janeiro. Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação individual presencial.


One Comment